Espaço Municipalista da CNM encerra com mostra de iniciativas exitosas

Quinta, 22 de março de 2018.

Ag. CNMApós quatro dias de atividades, o Espaço Municipalista abriu um espaço para a troca de experiências exitosas entre os gestores municipais. Os diálogos aconteceram na tarde desta quinta-feira, 22 de março, como parte final da programação do evento. Além de prefeitos, também estiveram presentes secretários e representantes de consórcios.

O desenvolvimento do saneamento rural em meio à escassez de água, típica do clima semiárido, foi o tema do primeiro painel. Quem esteve à frente da apresentação foi o analista de desenvolvimento rural e meio ambiente, Nicolas Emanuel Arnaud. Ele falou em nome da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece).

No Estado, a escassez hídrica preocupa diversos gestores da região, que, diariamente, acompanham o sofrimento da comunidade. Em seu discurso, Arnaud compartilhou um projeto que adota uma estrutura móvel para dessalinização da água. “O acesso a recursos hídricos não está relacionado apenas com a quantidade, mas também com a qualidade”, frisou.

Como justificativa, ele mencionou o custo para manter os caminhões-pipa em funcionamento. Em virtude da falta de água, é preciso buscar o recurso cada vez mais longe, o que encarece o serviço. Ao mesmo tempo, crescem as reclamações e denúncias por água contaminada, decorrente do uso de água bruta.

O projeto oferece uma redução de, ao menos, 80% na quilometragem das rotas de carros-pipa, que se reflete no custeio mensal do serviço. Dados confirmam ainda que o aporte financeiro diminui em uma média de 72,5% pelo uso do equipamento móvel.

Saneamento básico

O esgotamento sanitário, quando ausente ou deficitário, desencadeia efeitos sobre outras áreas, como a Saúde. A pequena cidade de São Ludgero (SC) conseguiu colocar em prática um importante projeto para o tratamento por completo do esgoto produzido.

Uma estrutura simplificada, que conta com reatores, filtros biológicos e círculo de bananeiras, permite um tratamento adequado dos dejetos. Segundo informou o engenheiro sanitarista e ambiental, Elton Peters, em maio de 2015 a cidade catarinense já havia atingido uma cobertura de 50% da população, com a instalação de mais de 260 conjuntos. Hoje a cobertura chega a 100%, reforçando o sucesso do projeto.

Preocupação ambiental

Em seguida, foi a vez de dois Municípios paulistas dividirem as suas experiências no que diz respeito à preservação da Mantiqueira. Ela é a maior bacia hidrográfica em termos de qualidade e de volume de água mineral no mundo. Como explicou a prefeita de Monteiro Lobato, Daniela de Cássia, sua cidade produz água com baixíssima concentração de nitrato, aspecto importante na avaliação de sua pureza.

O Município de Santo Antônio do Pinhal compartilha do mesmo cuidado com o recurso hídrico. “Se não cuidarmos da nossa Mata Atlântica, a água da chuva pode levar sedimentos até o rio. E isso pode impactar milhões de pessoas que vivem na capital de São Paulo”, alertou a secretária de meio ambiente, Sueli Nicolau.

A união faz a força

Os participantes puderam compreender ainda os benefícios de trabalharem as políticas públicas em consórcios. A secretária-executiva do consórcio Rio Guandu (ES), Ana Paula Alves Bissoli, apresentou detalhes das frentes de atuação do grupo. Além da recuperação ambiental, que é sua principal finalidade, o consórcio atua nas áreas de educação ambiental, gestão, representação institucional e comunicação social.

Bissoli destacou, em sua apresentação, a interface com Comitê para a gestão dos recursos hídricos na bacia do Rio Guandu. Ela acredita que esse diálogo é imprescindível para alcançar melhores resultados. Por fim, comentou que um dos principais desafios a ser enfrentado pelo consórcio esse ano será o licenciamento ambiental.

As atividades deste dia 22 de março finalizaram como um novo painel, cujo foco esteve na relação entre a água e as mudanças climáticas.